Tudo que penso tem uma origem inescrupulosa e pueril, isso é tudo que me limito a ser.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O espelho

- Mais rápido, seu lixo - diz ele com a voz cheia de escárnio.
- Estou tentando, prometo, estou tentando - respondo com medo da reação que qualquer erro que eu cometa possa causar.
     Essa é a verdade sobre como passo os meus dias: com medo. Num momento, ele parece calmo, quase como se estivesse satisfeito, leves traços de sorrisos que nunca verei parecem dançar em suas feições já tão marcadas em minha mente. Basta um simples abalo em sua condição momentânea de perfeição, e a escuridão toma conta. Ele começa a destruir o que vir ao seu redor, destroi o ambiente, agride a mim e a si mesmo.
     Acabei o que fazia. Dou-lhe o devido tempo para avaliar o meu trabalho, digerir o que foi feito. Percebo que estou segurando a respição. Seus pés estão parados, não há tremores em suas pálpebras, nem movimentos repetitivos nos dedos das mãos, bom sinal. Foi preciso dar o meu máximo. Se não uso as palavras certas, ele surta, se o tom da minha voz nao for julgado adequado, ele surta. Se não sou educado na medida, ele surta, se não mostro minha agressividade quando defendo minhas opiniões, ele surta. Sou o escravo de seus desejos, a prostitua de suas vontades. Meu pagamento é sobreviver.
     Antigamente isso seria diferente. Eu tentaria me impor, faria exigências, lutaria por minhas vontades. Hoje, não mais. Quando abre-se mão de si mesmo, é como jogar sua independência ao vento, deixar que o relevo e o tempo sejam responsáveis pelo seu fim, um simples eufemismo pra não adimtir que você deu fim a si mesmo.
     Ainda estou esperando que ele decida o que achou, para que eu possa enfim voltar a respirar, ou não. Ele pousa as mãos, parece relaxar. Sua calma aparente me faz soltar o ar, aliviado.
     É tarde demais, quando percebo seu moviento, não há mais tempo pra escapar, sua mão raivosa já está a centímetros do meu rosto, e bate com força, barulhenta.
- Que porra é essa?- ele grita a poucos centímetros do meu rosto.
     Em seguida, estou correndo, fugindo. Não há racionalidade em meus atos, é o instinto de sobrevivência me dizendo o que fazer. Estou atrás do remédio, estou atrás daquilo que pode acalmá-lo, da droga que o doma. Ele foi na direção oposta, imagino que tenha ido a procura de alguem objeto que possa me ferir de verdade, me fazer sangrar.
- Seu merda! Seu merda, merda, merda - ele diz ao me achar.
- Por favor, não me machuque. De novo não, por favor, por favor - Mas ele não vai me escutar. Eu o iterpretei erroneamente, o desagradei, e agora terei que pagar o preço por isso. Eu poderia revidar, machucá-lo, mas simplesmente não posso, eu o amo assim como sei que ele igualmente me ama. Ele só não é capaz de evitar.
-Mato você! Eu mato, vou arrancar a sua cabeça, te tirar do controle, vou assumir essa porcaria que você chama de vida. Mas antes disso, eu te mato. Mato, mato.
     Eu me aproximo dele. Todo cuidado é pouco, é como dançar valsa com um animal selvagem, você nuca sabe quando virá o ataque. O remédio está em minhas mãos, eu preciso ser rápido, preciso ser mais rápido e mais esperto que ele.
- Eu só quero te ajudar. Estou contigo, por favor, deixe-me ajudar. Somos um, eu te ajudo. Por favor. - digo entrecortadamente.
-Eu vou fazer você sofrer, vou te causar tanta dor que você vai implorar pela morte. Tudo sua culpa, só sua. Você deveria ser mais cuidadoso, voce desperdiça sua vida de merda, nao posso deixar esse trem desenfreado continuar assim. Vou te matar em breve, não vai ser hoje. Semana que vem, mês que vem. Ou amanhã? Será? Será?- me provoca, mas não no tom obscuro de antes, não como a mesma expressão. Agora ele parece pedir desculpas, no seu rosto, vejo dor, ele queria nao estar fazendo o que faz. Ele não pode evitar. Eu chego ainda mais perto, seguro sua mão. Ele coloca as mãos ao redor do meu pescoço, sente minha pulsação fluindo pelas veias, não aperta meu pescoço, so ensaia a minha morte mentalmente.  Devagar, abro sua boca e lhe dou o remédio.
     Em seguida, o observo relaxar, os músculos destencionando, a respiração se acalmando. Ele sorri pra mim.
     É tarde, ele está dormindo. Eu o limpei, carreguei pra cama, dei um beijo de boa noite. Todo o estrago será esquecido, os traumas enterrados, os dramas suprimidos. Mas isso tudo pode esperar. Eu o acaricio com os dedos pensando em como eu preciso o amar, não importa o que aconteça, eu preciso o amar. Vou pra minha cama, me deito, fecho os olhos pensando se essa será a noite que ele vai me matar, se essa será a última noite que dormirei sendo eu mesmo. Me pergunto se amanhã, eu não serei ele... é difícil saber, eu nunca vou saber.
   

     Ele não tem nome, mas muitos o apelidam. Alguns o chamam de ''Consciência'', outros de Personalidade, tem até quem ache que ele seja uma outra personalidade.
    Eu discordo, pra mim, ele é simplesmente eu, e eu, sou ele. Essa a a fera dentro de mim que eu preciso domar diariamente.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Isso não

Ferrei com a vadia porque eu quis, sem longas explicações ou motivações morais, tive vontade de fazer e fiz. Se eu fosse rico, nenhuma porra de polícia estaria querendo saber o que aconteceu. Desgraçada, me fode até depois de morta.
Que era piranha eu já sabia, caso contrário não teria juntado as trouxas com ela, mulher que não geme e tem vergonha de batom vermelho não é pra mim, gosto de um tapinha de vez em quando, e se devolver, eu apaixono. Bastou a rapariga roçar a saia sem calcinha por baixo em mim pra eu saber que foderia naquela noite, entalhou a unhas na minhas costas com força e prazer, tinha ela talento pra artes, se sadismo fosse bonito de ver. Me queimou com o cigarro algumas vezes, ele queria deixar marcas na minha pele, assim como queria marcar a minha vida... Acabou que eu que a marquei, com um machado na cabeça, o golpe fez desenhos na parede, não tinha idéia que sangue escorrendo podia ser bonito. Eu teria tido dó de amassar aquele rosto, mas eu estava com pressa, e de qualquer forma, ia ser comida pela terra mesmo.
Vez ou outra me talhava o sangue, mas sua lasanha era divina. Tinha seus defeitos, como as malditas espinhas na bunda, eu odiava aquelas espinhas, mas não posso reclamar, rabo liso eu sempre achei na rua, é barato e não compromete a renda do mês.
Fodas, não deixarei de ser homem se admitir que amei a filha da puta, o palavrão foi pra mostrar virilidade. Aturei as merdas dela, e ela as minhas, eu sou fruto da mesma semente podre que ela. Defeitos todo mundo tem, erros todos comentem, mas chamar meu pau de “tchutchuco’’ eu não podia aceitar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tempestade oceânica

Se eu sou estranho por nao confiar sem desconfiar, por nao valorizar ninguem acima de mim mesmo, por nao querer uma ''maozinha'' alem das duas que ja tenho. Se por isso, eu acabar sozinho e rancoroso, eu aceito meu destino, mas nao abro mão de me preservar.

Erros sao cometidos por qualquer pessoa, por mais sã e focada que ela seja. A forma como a pessoa errante enfrenta as adversidades que surgem, é que a torna capaz de seguir em frente.

Falo por mim, e nao me interessa o que pensem os demais: Eu sou o deus do meu destino. Não decido as coisas que encontrarei em minhas andanças, isso vai além das minhas capacidades, mas o caminho pelo qual eu passarei, quem decide, sou eu. O Ritmo que terão meus passos, quem decide, sou eu. Diga-me que nao sou capaz e eu terei o prazer de te provar o contrário.

Cada um sabe pelo que passou, e o que é capaz de suportar. Alguns temem encarar seus limites, desbravar seus medos... eu nao tive essa escolha. Meus medos costumam pular na minha frente e berrar enquanto passo por um caminho escuro. Eles conseguem exercer bem sua função: me dão medo. Mas eles nao me impedem, nao me limitam.


Certa vez, vi no filme Peter Pan que Sininho é tão pequena que somente um sentimento por vez pode habitá-la, bom, eu devo ser do mesmo tamanho em algumas ocasiões. As coisas sao intensas na minha forma de ver a vida. Um límpido e calmo lago por fora, as vezes agitado, mas um feroz e perigoso oceano por dentro, capaz de engolir até mesmo os mais poderosos navios do mundo, até mesmo os mais difíceis momentos da vida.

Eu sou o oceano.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Crueldade é confiar

O amor entre um homem e uma mulher é o melhor exemplo possível de como todas as esperanças deste mundo são uma ilusão absurda, e isso porque o amor promete extraordinariamente muito e nos entrega extraordinariamente pouco.

Sei que nao precisa que eu lhe diga que este mundo é um inferno, porém, tente entender que os homens e as mulheres são, ao mesmo tempo, as almas atormentadas dele e os demônios que executam esses mesmos tormentos. E ainda: Ninguem verdadeiramente inteligente aceita o que quer que seja só porque alguma autoridade diz que deve ser assim. Nao aceite a verdade de nada que nao tenha confirmado por conta propria.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Apoteose blindada

Brinco de ser Deus, enquanto o pó oscila entre sujeira e criação, decido se serei forma, desejo, sentimento ou se nada serei, senão o pó. Esquartejo as verdades mundanas em pedaços esmiuçados segundo as vejo. Por mais picadas, rasgadas e mordidas que estejam, elas corrompem meu juízo.
Como Deus, me pergunto: ''Porque diabos meu juízo é corrompido, se eu mesmo criei a possibilidade de corromper?''.
Cômico e sutil me vêm o desespero de perceber a mais extrema e latente solidão, se sou Deus, nao há a quem recorrer em minhas dúvidas e anseios, não há colo pra deitar e lamentar os meus erros e desatinos. Já que sou Deus, o que faço é feito, feito perfeito nascido e criado daquilo que tirei de mim. Não existe erro na criação, sou só eu as infinitas possibilidades da imaginação.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Agora finalmente tudo é branco

O homem está com as costas apoiadas na parede, no lado mais longo de uma pequena sala retangular. Está sentado no chão abraçado aos joelhos dobrados, observando os movimentos dos dedos dos pés nas meias brancas de algodão. Usa blusa e calças brancas de tecido áspero, como brancas são as pare des em que está enclausurado. Encostado à parede diante dele, solidamente preso ao chão, há um leito tubular de metal.

Branco também.

Não há lençóis, mas brancos são o colchão e o travesseiro. E branca é a luz que se derrama do teto, protegida por uma pesada grade cuidadosamente pintada de branco, que parece ser a própria fonte de brancura ofuscante daquela sala.
Aquela luz nao se apaga nunca.

Ergue lentamente a cabeça. Seus olhos verdes olham sem angústia para a única minuscula janela, colocada alto suficiente para ser inatingivel. É o unico relógio que tem à disposição para marcar a passagem do tempo.

Claro e escuro. Branco e preto. Dia e noite.
Nao sabe o por quê, mas o azul do céu não aparece nunca.
Sua solidão não lhe pesa.
Experimenta, aliás, uma espécie de incômodo cada vez que um sinal de mundo lhe chega de fora. De vez em quando, uma janelinha se abre na porta, embaixo, e uma bandeja com travessas de plástico cheias de comida desliza sobre o pavimento. O plástico é branco e a comida tem sempre o mesmo sabor. Não há talheres. Come com os dedos e restitui a bandeja e as travessas quando a janelinha volta a abrir. Recebe em troca um lenço branco e umedecido pra limpar as mãos. Tem que devolvê-lo em seguida.
De vez em quando uma voz lhe diz que fique de pé no centro da sala e estenda os braços pra frente. Observam seus movimentos pelo olho mágico no centro da porta. Quando vêem que está na posição certa, a porta se abre e alguns homens entram, enfiam uma camisa de força em seus braços e apertam bem atrás das costas. Cada vez que é obrigado a usá-la, ele sorri.
Sente que aqueles homem maciços, vestidos de verde, têm medo dele, e nota que tentam de todos os modos evitar seu olhar. Quase sente o cheiro do medo que lhes incute. Contudo, já deveriam saber que o tempo de lutar acabou. Já repetiu isso várias vezes ao homem de óculos que se encontra na sala para onde é levado, o homem que quer saber, que quer entender.
Já disse várias vezes também que não há o que entender.
Só aceitar o que acontece e continuará a acontecer, do mesmo modo como ele aceita impassível ficar trancado em toda aquela brancura até o momento em que começar a fazer parte dela.
Não, sua solidão na lhe pesa.
A única coisa que lhe falta, é a música.
Sabe que jamais lhe permitirão tê-la de novo, portanto, fecha os olhos de quando em quando e consegue imaginá-la. Tocou-a tantas vezes, ouviu-a tantas vezes,
respirou-a tantas vezes que agora, quando procura por ela, ele pode encontrá-la intacta, como era no momento em que entrou nele. As recordações, as que são feitas de imagens e palavras, míseras cores desbotadas e roucos sons envilecidos pela busca de um significado, já não lhe interessam mais. Em sua prisão, a memória só lhe serve agora para reencontrar, como um tesouro escondido, toda a música que possui. É a única herança deixada por aquele homem que um dia se arrogou o direito de “pai”, antes que ele finalmente resolvesse deixar de ser seu filho e lhe retirasse o direito, juntamente com a vida.
Quando se concentra bem, consegue ouvir como se estivesse a seu lado o delizar de uma mão ágil no cabo de uma guitarra elétrica, o som raivoso de um solo que parece uma corrida escadas acima, girando, girando, subindo cada vez mais alto e que parece não ter fim.
Sente o chiado das vassouras nos pratos de uma bateria ou o hálito úmido e quente de um homem que abre caminho com dificuldade no funil tortuoso de um saxofone e, como tal, se transforma numa voz de humana melancolia, a pontada aguda do lamento por alguma coisa bela que se possuía e que se desfez entre sua mãos, corroída pelo tempo.
Pode-se encontrar sentado no meio de uma secção de cordas e vigiar por sobre o ombro o movimento rápido do arco do primeiro violino. Pode se enfiar insuspeito entre as espirais sinuosas de um oboé ou observar os dedos de unhas tratadas que se agitam nervosos entre as cordas de uma harpa, como animais selvagens atrás das grades de uma jaula.
Pode ligar e desligar quando quiser aquela musica que, como todas as coisas imaginadas, é perfeita. Ali dentro tem tudo o que precisa, todo o se, todo seu futuro.
A musica dá e sobra para derrotar a solidão. A musica é a única promessa cumprida, a musica é a única aposta vencida. Disse a alguém, certa vez, que a musica é tudo, que é o inicio e o fim da viagem, que a musica é a própria viagem.
Eles o ouviram, mas não acreditaram. Por outro lado, o que se poderia esperar de quem toca ouve a música, mas não é capaz de respirá-la?

Não, não tem medo algum da solidão.

E depois, não esta sozinho.

Nunca, nem agora.
Ninguém o entendeu até agora e talvez ninguém consiga entendê-lo em seguida. Foi por esse motivo que buscaram tão longe o que estava diante de seus olhos, como todos fazem, como todos sempre fazem. Foi por esse motivo que conseguiu se esconder tanto tempo entre aqueles olhos apressados, exatamente como o negro se esconde entre as cores. Nenhum deles poderia aceitar o brando ofuscante de uma sala como aquela em que se encontra sem gritar.

Mas ele não precisa disso. Não sente necessidade nem de falar.

Apóia a cabeça na parede e fecha os olhos, afasta-se por alguns instantes da brancura daquela sala, não por temor, mas por respeito.
Sabe que pode agüentar a brancura, porque ninguém é tão obscuro por dentro, como ele.



Eu matoGiorgio Faleetti

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Trauma

Ele nao sabia pra onde olhar, nem a quem recorrer, na verdade ele nao queria recorrer a ninguém. Todas as direçoes eram cavernosamente obscuras, era ele e o silêncio sepulcral da sua própia existência.
Teoricamente ele estava vivo, teoricamente. Mas se perguntara a alguns dias atrás o que era mesmo estar vivo? Ou seriam a alguns anos, horas... Ele havia perdido a noçao do tempo, a noçao de tudo, a noçao do mundo.

Uma conversa interessante

Uma conversa, um esclarecimento. As palavras saem de voce, no entanto, é como se visse aquilo pela primeira vez e percebe, que realmente é o que está dentro, escondido, porem, gritante. Nao é infelicidade, é descordancia de conceitos.

Caio diz:
Vale a pena?
É desgastante, felicidade nao se tem, se sente, é efemera.

Felipe Celline diz:
A felicidade devia ser a felicidade do momento. De querer sair correndo e gritando e fazer isso, sem pensar em ninguém, saca?

Caio diz:
Eu realmente nao entendo o porque de tanta busca por isso.
As pessoas vivem a vida toda sem a te-la.

Felipe Celline diz:
Por que as pessoas jogam sempre a felicidade lá pra frente, em planos futuros ou ombros alheios. Esquecem do presente

Caio diz:
Pra que tanto trabalho em busca de algo que nao lhe é essencial?

Felipe Celline diz:
Cara, pra mim é essencial. Felicidade é lucidez pra mim.

Caio diz:
Eu já vejo ai outro fator.
As pessoas nao sao felizes porque elas sao mesquinhas.

Felipe Celline diz:
o meu gosto

Caio diz:
Nada está bom. Nunca é suficiente.

Felipe Celline diz:
Você já teve um sonho lúcido?

Caio diz:
Voce pode estar com a pessoa que ama, vivendo a tarde mais feliz da sua vida. No entanto, se te perguntarem se voce É, feliz, dirá nao.
Porque?
Porque voce é pobre.
E isso te prende num mundo de infelicidade.
Um exemplo, claro.

Felipe Celline diz:
É, mas isso é culpa das pessoas cara
Esse negócio de sempre querer mais e mais e mais

Caio diz:
E o que é a felicidade senao uma coisa inventada por pessoas?

Felipe Celline diz:
e nesse sistema, o sistema do eu (egoismo ego, eu, ismo sistema), o mundo vai mal.

Caio diz:
Pra mim, é um nome que inventaram pra algo que elas sentem. E isso quer dizer elas podem ESTAR felizes.

Felipe Celline diz:
Felicidade é consciencia e lucidez de estar aqui e poder sentir coisas boas.

Caio diz:
Essas coisa de SER feliz, ja é ilusorio.
Voce entende que isso causa um buraco?
Eu vou explicar melhor.
Voce está com sua familia, num jantar maravilhoso, tudo está indo bem e voce sente uma coisa boa, felicidade, uma paz. A noite acaba.
Depois, tudo que voce mais quer é sentir isso denovo.
E voce dá o nome a essa sensação de felicidade.

Felipe Celline diz:
não deveria.

Caio diz:
Voce passa entao a tentar SER aquilo que sentiu. Mas tudo que é possivel é estar daquele jeito.
Como voce quer SER aquilo, ESTAR nao lhe agrada.

Felipe Celline diz:
a felicidade deveria ser concebida antes disso, dessa situação

Caio diz:
É pouco.
o que acontece é que apartir das suas tentativas fruistradas de SER, voce fica infeliz.
E esquece que voce pode sempre ESTAR.

Felipe Celline diz:
Você, nesse exemplo, deveria ser feliz por ter uma família que pode te proporcionar um jantar maravilhoso. E isso bastaria

Caio diz:
E nem é peciso tanto esforço.
Voce passa tempo demais atras do SER, quando o ESTAR, é o mais importante, ou deveria.

Felipe Celline diz:
Mas isso é defeito do homem, cara.
podemos ser felizes vinte e quatro horas.
podemos mesmo se estivermos tristes
mas eu te entendi cara

Caio diz:
O fato é que as pessoas veem tudo de forma errada.
Nao quer eu veja mais certo.
Mas de verdade, é um mundo de estupidez.
Por isso ser ''amargo'' aos olhos alheios, é ser feliz, pra mim.

Felipe Celline diz:
isso do SER enquanto deveria ESTAR é um mal dos humanos.



A pergunta que me fiz depois de termos essa conversa, foi: Existiu alguma chance de termos chagado a outra concluão senao a porcaria da essencia de merda da humanidade?
Como diriam na internet, por aí: RISOS!

sábado, 13 de março de 2010

O eco do avesso de mim mesmo

Nesse momento, eu poderia ser qualquer um, qualquer coisa, porque tudo que sou nesse momento, é nada.
Me sinto zerado, como materia pura, nao formulada, intocada e inerte. Qualquer sentimento seria capaz de me moldar e qualquer sensação capaz de me preencher. Nesse momento, eu sou o vazio.
Imagine uma escuridao cavernosa, nenhum resquicio de luz pode ser captado pelos olhos, uma cegueira profunda. Uma cegueira que transcende o corpo, uma cegueira que se extende raivosa e brutal até o cerne, que chega a alma. Agora, imagine tudo isso aconpanhado por um grito, de dor, de sofrimento. Esse grito, é seu, essa dor, é sentida por você, esse sofrimento... é voce quem escolheu.
Nao é querer dramatizar nem engrandecer a ferida que me assola, é apenas reconhecê-la, ela é ruim, mas a realidade é pior.
Eu pego meu copo de vodka com gelo, vodka pura, pra rasgar armargamente minha garganta e me trazer de volta a merda. Olho ao meu redor, tudo me enoja. Qualquer voz ou sorriso alheio é motivo pra que eu me irrite e queira me rasgar, me desfazer tantas vezes até que eu nao exista mais. Eu só posso dizer uma coisa: eu sou um covarde. Sou alguem que nao consegue se desapegar da vida mas ao mesmo tempo nao tem fibra pra encara-la. Fazer o possivel nao basta, derramar sangue com suor nao é suficiente, é necessario mais, ela quer a sua morte. E é isso que fazemos, vivemos nossas vidas vagas, falsamente felizes enquanto envelhecemos e nos colocamos de frente com as milhares de possiblidade de morte que temos a frente. A morte é certa, o quanto voce vai sofrer até que ela chegue, é a questao.

Olho pro rémedio comprado com suor do trabalho de alguem que nao sou eu, e decido nao tomar. Hoje, definitivamente, eu quero sentir a dor. A imensa dor que emana do meu cerebro, do tumor. Hoje minha vodka terá gosto de dor. O ar terá cheiro de cólera, e a vista, bom, essa será sempre desagradavel, de pessoas falsamente felizes esperando que a unica certeza que elas relutam em ignorar, chegue: a morte.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Anomalia temporal

É chegada a hora, sorrir, cantar comemorar mais um ano que se passa, vivo. Nao se se é motivo pra acreditar na sanidade do mundo, mas é um breve momento em que acredito estar mesmo seguindo um fluxo constante que vale a pena ser levado a sério.
Seria apenas mais um falsa impressao humanista e simploria da realidade, ou devo mesmo começar a seguir todo o ritmo frenetico e descompasado da sociedade desorientada que enxergo?
Nao sei, nao vou ter respostas agora, e me pergunto se algum dia terei. Caso nao tenha, agradeço por estar me questionando a aceitaçao de algo que até entao, considero inaceitavel.

Fiquem bem, caros pútridos seguidores sociais. Mais dias fétidos em que possam comemorar a vivência nesse mundo em que eu, ja teria abandonado caso tivesse escolha. Um cuspe de sangue cancerigeno dentro dos seus copos de alcool nessa data, a qual foquetes atordoarao suas mentes ja nao tao conectadas ao que eu prefiro chamar de CASTIGO.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Platéia de um só

Vivi cada dia me preparando para o próximo, cada segundo alerta, sem piscar, controlando a respiração pra não perder um só momento do segundo seguinte. Gostava de guardar sensações, memoriza-las afim de sempre tentar me aproximar de uma forma ou de outra da mesma outra vez. Visei sempre a felicidade, fosse ela a curto ou a a longo prazo.
Fazia uso de palavras razas, momentâneas, pensava que existira sempre uma oportunidade futura pra mais sentimentalismo e profundidade. Mas agora sei, não existirão outras oportunidades.
Ao pensar em mim, só me vem a cabeça a ideia de estar cavando a cova que me deitarei quando a hora chegar, a cova desconfortável que me sugará para o motivo de sua existência, a minha morte. Definir a forma como existo nesse instante é colocar em palavras a mais peculiar das sensações que minha carne, minha alma, meu ser experimentou. Sem mais delongas eu direi. É saber que nesse instante, esse mesmo que vivo, minha vida se esvairá pelo cosmos, por todo ele, nesse instante que deveria acabar agora mesmo, mas... não acaba. É um pesadelo inevitável, que deveria ser rápido, que deveria ser como a foice da morte rasgando o ultimo fio de vida de um ser, num ligeiro movimento. Ao invés disso, é como sentir uma pequena faca de caça te dilacerando pouco a pouco, pelas mãos de algo ou de alguém que quer que você sinta o quanto deseja que você sofra, querendo que você grite e implore pela vida. Querendo ouvir de sua boca que você é fraco, dependente de sua vontade pra continuar vivo.
Ao ter consciência disso, você até pensa em sucumbir a essa poderosa e intensa sensação de sofrimento, mas existe algo que te impede, que te prende a esse mundo de uma maneira tão forte, que não se importa se o que você quer é ser levado pra longe de toda essa loucura. Uns chamam esse 'algo' de amor, outros de 'assuntos inacabados' e tem até quem chame de família. O meu, se chama cansaço.
Poderia até invocar minha ultimas energias e gritar tão intensamente que faria que os pelos do corpo de quem o ouvisse se arrepiassem num calafrio medonho, e satisfazer assim, a vontade desse ser. Mas, não o faço, tenho andado cansado demais pra pra tal ato, prefiro apenas fechar os olhos e deixar que as coisas tomem seu devido rumo. Me acostumei com a apatia, nem vivo, nem morto, ainda. Acompanho o frenético movimento de tudo ao meu redor com o olhar de alguém que assiste de fora, e gosto disso. Sou a plateia de um só da minha própria vida, da minha existência, fico atónito, prado, observando quem fui e quem sou, e a certeza que tenho, constatada no ultimo exame, a ultima facada, é que não terei a oportunidade de ter um 'quem serei'.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Com amor

Pai,

Você é aquele que me deu a vida, que estabeleu condições pra que a minha existência nesse mundo fosse possível, que possibilitou que eu sentisse o ar penetrar em meu corpo, chegar aos pulmões e que o meu primeiro sopro de vitalidade fosse concretizado. Diante da sua grandeza, eu percebo a minha pequenez, a minha insignificância, e seu nome pesa em em meus ombros. Diante de sua autoridade, meus joelhos vão de encontro ao chão, eles doem, mas como posso me levantar diante de alguém como ti?

Tenho consciência que jamais serei, ou chegarei perto de ser o que você é. Jamais experimentarei ao menos metade do poder que demandas. Posso sentir seu sangue dentro de mim, pulsando, gritando, alimentando minhas vísceras enquanto resido aqui, nesse mundo. É impossível negar a influência que sua carne persiste em deixar marcada no meu ser, é impossível viver, existir sem saber que sou consequência dos seus atos.

Por tudo isso, pai, reconheço que eu nunca serei alguém como você. Nunca terei orgulho de mim mesmo, porque a verdade é evidente, não tenho capacidade de chagar ao nível que você chegou.

Insisto então, em ser apenas eu, em existir sem persistir ser como você, e isso me conforta.... Me dá paz ter como certeza, materializada diante dos meus olhos que muitas vezes fraquejaram e tentaram se fechar, que eu jamais serei como você. Nunca conseguiria ser sua cópia, afinal, acredito que ninguém consiga. Não existe qualquer ser, ou criatura viva, que ousaria ser tao cretino, canalha, filho da puta, desgraçado, baixo e repugnante como você.

Tenho orgulho de dizer então, que eu tenho sim, algo herdado de você, algo ruim, mas que me serve de referencial pra me distanciar de toda e qualquer forma de semelhança que existir entre nós.

Seu querido filho, Caio.


domingo, 30 de agosto de 2009

Loucura, torpor e um pouco de realidade

Estou aqui falando da loucura trágica, da loucura catástrofe, da loucura fim-de-mundo, da loucura que leva um sujeito a se desesperar e a viver em um mundo delirante próprio, solitário, correndo pelas ruas e rejeitando a vida com os demais seres humanos, e sendo ao mesmo tempo rejeitado por todos, como seres indesejáveis e insuportáveis. Loucura esta que expressa aos berros, sem ter sido silenciada por drogas, caridade, psicologias, polícia ou assassinato - que é o fim que tem levado a maioria dos milhões de loucos reais desse país. Trágica contradição deste país moribundo: apenas no caos a loucura tem voz própria. A Alemanha não deixou nem mesmo Nietzsche continuar berrando audivelmente depois de ter se tornado oficialmente doido. Mas aqui os loucos conseguem fugir ao controle dos "normais".

Essa loucura real, de loucos reais, subumanos, e não dos desejosos de serem artistas ou transgressores em suas "modinhas" intelectuais, é a solidão extrema e total a que o ser humano pode chegar; é quando tudo que existe aos olhos de todos os outros deixa de fazer sentido, só restando à pessoa reinventar solitariamente seu próprio mundo, sua própria crença, seus próprios fantasmas, seus próprios ídolos míticos, sua própria identidade, a par de todos, diferentemente de todos os outros em suas ilusões compartilhadas coletivamente.

Mas quando a realidade do caos ao seu redor desnudou todas essas suas fantasias morais e ilusões de um mundo que não mais existia, tornou-se uma pessoa sem "mundo" no qual acreditar: perdeu seus valores e suas ilusões necessárias à vida compartilhada com outras pessoas, e não conseguiu ter novas ilusões (crenças, ou sentidos para a vida), no lugar das anteriores.

Tornou-se um vazio existencial completo, um ser amorfo, com restos de identidades fragmentadas, com resquícios de valores morais contra os quais agora passava a lutar, por sabê-los irreais, com restos de crenças em Deus e coisas do tipo das quais agora tinha apenas raiva - por ter se descoberto uma pessoa enganada quanto a si mesma e quanto ao mundo real, brutal, caótico, genocida, no qual o ser humano não tem valor algum, a não ser em jogos de palavras hipócritas, com falsos humanismos – ou seja, o típico mundo da pobreza urbana brasileira, cercado de violênicia e de intelectuais humanistas.

Aos olhos dos outros tornou-se loucura, alguém a quem não se dá crédito, a quem não se compreende, com quem não se consegue compartilhar opiniões e crenças. Se lhe dessem ouvido, e se compreendessem o que fala, somado ao que falam os milhões de loucos brasileiros que não têm voz (por isso são loucos aos olhos dos outros), e sobre os quais não se faz filmes, viria à tona a realidade de um país e de um mundo de que a maioria da população não quer saber - preferindo todos continuar vivendo em seus estragados castelos de areia. Viria à tona uma realidade brutal, catastrófica, apocalíptica, um povo se auto-destruindo e ainda tendo que se acreditar alegre, carnavalesco e humanista-cristão. Quem quiser ver esta realidade, no entanto, basta apenas parar de assistir a Matrix, de jogar vídeo-game, de fumar maconha... Basta abrir os olhos e a mente para o que está ao seu redor - se conseguir.

'De algum lugar, gritos ecoam e doem aos ouvidos daqueles que se disporem a ouvir, sangram suas realidades falsas e utopicas, abrem feridas, as quais os 'normais' nao se dão a trabalho de curar.'

De alguem, por aí!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Despertar

Naquele momento as palavras ecoaram pela minha alma como se um grito repentino, abafado, desesperado surgisse de um 'eu' adormecido, como o apertar de um gatilho que dá início ao trajeto da bala causadora do orifício feito no crânio do ser que partiu, para que outro nascesse. Senti-me estranho, como se a luz viesse de encontro à meus olhos, com tanta intensidade que pude sentir minha alma arder em chamas, se queimar com o calor da vontade de ver o mundo, a realidade como ela deve ser vista, usar pela primeira vez, minha visão.

A cada palavra lida, eu sentia um golpe pesado e cortante daquela nova sensação, de dentro pra fora, crescendo, brigando bravamente pra se libertar, cansada de tanto se esconder de máscaras que não faziam parte de mim. E eu, casando de ser quem não sou, cansado de me tornar uma máquina, um mecanismo forjado pra manter uma sociedade pútrida, que fede, e que me obriga a usar tampões sem que eu veja, pra não sentir seu mal cheiro, e então levantar a voz a tempo calada contra ela.

Durante algum tempo andei distante do mundo, distante do que se passava ao meu redor. Em casa me acusaram de louco, o que não foi novidade, na escola, me perguntaram - Qual o seu problema?- e nada mais fazia que sorrir, afinal, era a única informação idiota da sociedade que me lembrava nesses momentos 'Rir para não chorar'. Minha mente desbravava locais jamais conhecidos por mim mesmo.

O que posso lhes dizer é que depois de tanto pensar e refletir sobre o pensamento que acabara de ter, aceitei o novo eu, e agora, me vejo perdido em meio à um mundo que não compreendo, não mais, à rotinas que não me dizem respeito, não mais, a conceitos sem nexo algum, a uma vida sem sentido nenhum... Me tornei então, um ser alheio aos afazeres que vejo todos preocupados em cumprir, atarefados, brigando entre si e tentando obter bens que nem me lembro pra que servem mais.

Fiquei louco ou descobri aonde estava de fato, minha consciência...? Não creio que um lugar onde eu me sinta tão estranhamente bem, extra ao todo que a humanidade acredita ser, possa ser algo ruim. Confesso que não sei mais o que fazer, onde ir, com quem falar, o que buscar, mas uma coisa é certa, esse sou o 'eu' que quero ser, posso não ser ninguém aos olhos de um homem qualquer se seguir este novo caminho que surgiu, mas serei alguém suficientemente realizado quando a morte pousar sua pesada foice em meu ombro.

Até lá viverei uma vida que não sei qual, experienciarei coisas que não imagino, terei ensinamentos que ainda não sei.
Me lembrarei das palavras que me revelaram tal caminho, serei grato a elas por me trazerem meu pequeno abrir de olhos, meu singular Despertar...