É chegada a hora, sorrir, cantar comemorar mais um ano que se passa, vivo. Nao se se é motivo pra acreditar na sanidade do mundo, mas é um breve momento em que acredito estar mesmo seguindo um fluxo constante que vale a pena ser levado a sério.
Seria apenas mais um falsa impressao humanista e simploria da realidade, ou devo mesmo começar a seguir todo o ritmo frenetico e descompasado da sociedade desorientada que enxergo?
Nao sei, nao vou ter respostas agora, e me pergunto se algum dia terei. Caso nao tenha, agradeço por estar me questionando a aceitaçao de algo que até entao, considero inaceitavel.
Fiquem bem, caros pútridos seguidores sociais. Mais dias fétidos em que possam comemorar a vivência nesse mundo em que eu, ja teria abandonado caso tivesse escolha. Um cuspe de sangue cancerigeno dentro dos seus copos de alcool nessa data, a qual foquetes atordoarao suas mentes ja nao tao conectadas ao que eu prefiro chamar de CASTIGO.
"...Não mais consegue sentir o mal nem os benefícios, nem tampouco sentir alegria pelos males que causou."
Tudo que penso tem uma origem inescrupulosa e pueril, isso é tudo que me limito a ser.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Platéia de um só
Vivi cada dia me preparando para o próximo, cada segundo alerta, sem piscar, controlando a respiração pra não perder um só momento do segundo seguinte. Gostava de guardar sensações, memoriza-las afim de sempre tentar me aproximar de uma forma ou de outra da mesma outra vez. Visei sempre a felicidade, fosse ela a curto ou a a longo prazo.
Fazia uso de palavras razas, momentâneas, pensava que existira sempre uma oportunidade futura pra mais sentimentalismo e profundidade. Mas agora sei, não existirão outras oportunidades.
Ao pensar em mim, só me vem a cabeça a ideia de estar cavando a cova que me deitarei quando a hora chegar, a cova desconfortável que me sugará para o motivo de sua existência, a minha morte. Definir a forma como existo nesse instante é colocar em palavras a mais peculiar das sensações que minha carne, minha alma, meu ser já experimentou. Sem mais delongas eu direi. É saber que nesse instante, esse mesmo que vivo, minha vida se esvairá pelo cosmos, por todo ele, nesse instante que deveria acabar agora mesmo, mas... não acaba. É um pesadelo inevitável, que deveria ser rápido, que deveria ser como a foice da morte rasgando o ultimo fio de vida de um ser, num ligeiro movimento. Ao invés disso, é como sentir uma pequena faca de caça te dilacerando pouco a pouco, pelas mãos de algo ou de alguém que quer que você sinta o quanto deseja que você sofra, querendo que você grite e implore pela vida. Querendo ouvir de sua boca que você é fraco, dependente de sua vontade pra continuar vivo.
Ao ter consciência disso, você até pensa em sucumbir a essa poderosa e intensa sensação de sofrimento, mas existe algo que te impede, que te prende a esse mundo de uma maneira tão forte, que não se importa se o que você quer é ser levado pra longe de toda essa loucura. Uns chamam esse 'algo' de amor, outros de 'assuntos inacabados' e tem até quem chame de família. O meu, se chama cansaço.
Poderia até invocar minha ultimas energias e gritar tão intensamente que faria que os pelos do corpo de quem o ouvisse se arrepiassem num calafrio medonho, e satisfazer assim, a vontade desse ser. Mas, não o faço, tenho andado cansado demais pra pra tal ato, prefiro apenas fechar os olhos e deixar que as coisas tomem seu devido rumo. Me acostumei com a apatia, nem vivo, nem morto, ainda. Acompanho o frenético movimento de tudo ao meu redor com o olhar de alguém que assiste de fora, e gosto disso. Sou a plateia de um só da minha própria vida, da minha existência, fico atónito, prado, observando quem fui e quem sou, e a certeza que tenho, constatada no ultimo exame, a ultima facada, é que não terei a oportunidade de ter um 'quem serei'.
Fazia uso de palavras razas, momentâneas, pensava que existira sempre uma oportunidade futura pra mais sentimentalismo e profundidade. Mas agora sei, não existirão outras oportunidades.
Ao pensar em mim, só me vem a cabeça a ideia de estar cavando a cova que me deitarei quando a hora chegar, a cova desconfortável que me sugará para o motivo de sua existência, a minha morte. Definir a forma como existo nesse instante é colocar em palavras a mais peculiar das sensações que minha carne, minha alma, meu ser já experimentou. Sem mais delongas eu direi. É saber que nesse instante, esse mesmo que vivo, minha vida se esvairá pelo cosmos, por todo ele, nesse instante que deveria acabar agora mesmo, mas... não acaba. É um pesadelo inevitável, que deveria ser rápido, que deveria ser como a foice da morte rasgando o ultimo fio de vida de um ser, num ligeiro movimento. Ao invés disso, é como sentir uma pequena faca de caça te dilacerando pouco a pouco, pelas mãos de algo ou de alguém que quer que você sinta o quanto deseja que você sofra, querendo que você grite e implore pela vida. Querendo ouvir de sua boca que você é fraco, dependente de sua vontade pra continuar vivo.
Ao ter consciência disso, você até pensa em sucumbir a essa poderosa e intensa sensação de sofrimento, mas existe algo que te impede, que te prende a esse mundo de uma maneira tão forte, que não se importa se o que você quer é ser levado pra longe de toda essa loucura. Uns chamam esse 'algo' de amor, outros de 'assuntos inacabados' e tem até quem chame de família. O meu, se chama cansaço.
Poderia até invocar minha ultimas energias e gritar tão intensamente que faria que os pelos do corpo de quem o ouvisse se arrepiassem num calafrio medonho, e satisfazer assim, a vontade desse ser. Mas, não o faço, tenho andado cansado demais pra pra tal ato, prefiro apenas fechar os olhos e deixar que as coisas tomem seu devido rumo. Me acostumei com a apatia, nem vivo, nem morto, ainda. Acompanho o frenético movimento de tudo ao meu redor com o olhar de alguém que assiste de fora, e gosto disso. Sou a plateia de um só da minha própria vida, da minha existência, fico atónito, prado, observando quem fui e quem sou, e a certeza que tenho, constatada no ultimo exame, a ultima facada, é que não terei a oportunidade de ter um 'quem serei'.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Com amor
Pai,
Você é aquele que me deu a vida, que estabeleu condições pra que a minha existência nesse mundo fosse possível, que possibilitou que eu sentisse o ar penetrar em meu corpo, chegar aos pulmões e que o meu primeiro sopro de vitalidade fosse concretizado. Diante da sua grandeza, eu percebo a minha pequenez, a minha insignificância, e seu nome pesa em em meus ombros. Diante de sua autoridade, meus joelhos vão de encontro ao chão, eles doem, mas como posso me levantar diante de alguém como ti?
Tenho consciência que jamais serei, ou chegarei perto de ser o que você é. Jamais experimentarei ao menos metade do poder que demandas. Posso sentir seu sangue dentro de mim, pulsando, gritando, alimentando minhas vísceras enquanto resido aqui, nesse mundo. É impossível negar a influência que sua carne persiste em deixar marcada no meu ser, é impossível viver, existir sem saber que sou consequência dos seus atos.
Por tudo isso, pai, reconheço que eu nunca serei alguém como você. Nunca terei orgulho de mim mesmo, porque a verdade é evidente, não tenho capacidade de chagar ao nível que você chegou.
Insisto então, em ser apenas eu, em existir sem persistir ser como você, e isso me conforta.... Me dá paz ter como certeza, materializada diante dos meus olhos que muitas vezes fraquejaram e tentaram se fechar, que eu jamais serei como você. Nunca conseguiria ser sua cópia, afinal, acredito que ninguém consiga. Não existe qualquer ser, ou criatura viva, que ousaria ser tao cretino, canalha, filho da puta, desgraçado, baixo e repugnante como você.
Tenho orgulho de dizer então, que eu tenho sim, algo herdado de você, algo ruim, mas que me serve de referencial pra me distanciar de toda e qualquer forma de semelhança que existir entre nós.
Seu querido filho, Caio.
Você é aquele que me deu a vida, que estabeleu condições pra que a minha existência nesse mundo fosse possível, que possibilitou que eu sentisse o ar penetrar em meu corpo, chegar aos pulmões e que o meu primeiro sopro de vitalidade fosse concretizado. Diante da sua grandeza, eu percebo a minha pequenez, a minha insignificância, e seu nome pesa em em meus ombros. Diante de sua autoridade, meus joelhos vão de encontro ao chão, eles doem, mas como posso me levantar diante de alguém como ti?
Tenho consciência que jamais serei, ou chegarei perto de ser o que você é. Jamais experimentarei ao menos metade do poder que demandas. Posso sentir seu sangue dentro de mim, pulsando, gritando, alimentando minhas vísceras enquanto resido aqui, nesse mundo. É impossível negar a influência que sua carne persiste em deixar marcada no meu ser, é impossível viver, existir sem saber que sou consequência dos seus atos.
Por tudo isso, pai, reconheço que eu nunca serei alguém como você. Nunca terei orgulho de mim mesmo, porque a verdade é evidente, não tenho capacidade de chagar ao nível que você chegou.
Insisto então, em ser apenas eu, em existir sem persistir ser como você, e isso me conforta.... Me dá paz ter como certeza, materializada diante dos meus olhos que muitas vezes fraquejaram e tentaram se fechar, que eu jamais serei como você. Nunca conseguiria ser sua cópia, afinal, acredito que ninguém consiga. Não existe qualquer ser, ou criatura viva, que ousaria ser tao cretino, canalha, filho da puta, desgraçado, baixo e repugnante como você.
Tenho orgulho de dizer então, que eu tenho sim, algo herdado de você, algo ruim, mas que me serve de referencial pra me distanciar de toda e qualquer forma de semelhança que existir entre nós.
Seu querido filho, Caio.
domingo, 30 de agosto de 2009
Loucura, torpor e um pouco de realidade
Estou aqui falando da loucura trágica, da loucura catástrofe, da loucura fim-de-mundo, da loucura que leva um sujeito a se desesperar e a viver em um mundo delirante próprio, solitário, correndo pelas ruas e rejeitando a vida com os demais seres humanos, e sendo ao mesmo tempo rejeitado por todos, como seres indesejáveis e insuportáveis. Loucura esta que expressa aos berros, sem ter sido silenciada por drogas, caridade, psicologias, polícia ou assassinato - que é o fim que tem levado a maioria dos milhões de loucos reais desse país. Trágica contradição deste país moribundo: apenas no caos a loucura tem voz própria. A Alemanha não deixou nem mesmo Nietzsche continuar berrando audivelmente depois de ter se tornado oficialmente doido. Mas aqui os loucos conseguem fugir ao controle dos "normais".
Essa loucura real, de loucos reais, subumanos, e não dos desejosos de serem artistas ou transgressores em suas "modinhas" intelectuais, é a solidão extrema e total a que o ser humano pode chegar; é quando tudo que existe aos olhos de todos os outros deixa de fazer sentido, só restando à pessoa reinventar solitariamente seu próprio mundo, sua própria crença, seus próprios fantasmas, seus próprios ídolos míticos, sua própria identidade, a par de todos, diferentemente de todos os outros em suas ilusões compartilhadas coletivamente.
Mas quando a realidade do caos ao seu redor desnudou todas essas suas fantasias morais e ilusões de um mundo que não mais existia, tornou-se uma pessoa sem "mundo" no qual acreditar: perdeu seus valores e suas ilusões necessárias à vida compartilhada com outras pessoas, e não conseguiu ter novas ilusões (crenças, ou sentidos para a vida), no lugar das anteriores.
Tornou-se um vazio existencial completo, um ser amorfo, com restos de identidades fragmentadas, com resquícios de valores morais contra os quais agora passava a lutar, por sabê-los irreais, com restos de crenças em Deus e coisas do tipo das quais agora tinha apenas raiva - por ter se descoberto uma pessoa enganada quanto a si mesma e quanto ao mundo real, brutal, caótico, genocida, no qual o ser humano não tem valor algum, a não ser em jogos de palavras hipócritas, com falsos humanismos – ou seja, o típico mundo da pobreza urbana brasileira, cercado de violênicia e de intelectuais humanistas.
Aos olhos dos outros tornou-se loucura, alguém a quem não se dá crédito, a quem não se compreende, com quem não se consegue compartilhar opiniões e crenças. Se lhe dessem ouvido, e se compreendessem o que fala, somado ao que falam os milhões de loucos brasileiros que não têm voz (por isso são loucos aos olhos dos outros), e sobre os quais não se faz filmes, viria à tona a realidade de um país e de um mundo de que a maioria da população não quer saber - preferindo todos continuar vivendo em seus estragados castelos de areia. Viria à tona uma realidade brutal, catastrófica, apocalíptica, um povo se auto-destruindo e ainda tendo que se acreditar alegre, carnavalesco e humanista-cristão. Quem quiser ver esta realidade, no entanto, basta apenas parar de assistir a Matrix, de jogar vídeo-game, de fumar maconha... Basta abrir os olhos e a mente para o que está ao seu redor - se conseguir.
'De algum lugar, gritos ecoam e doem aos ouvidos daqueles que se disporem a ouvir, sangram suas realidades falsas e utopicas, abrem feridas, as quais os 'normais' nao se dão a trabalho de curar.'
De alguem, por aí!
Essa loucura real, de loucos reais, subumanos, e não dos desejosos de serem artistas ou transgressores em suas "modinhas" intelectuais, é a solidão extrema e total a que o ser humano pode chegar; é quando tudo que existe aos olhos de todos os outros deixa de fazer sentido, só restando à pessoa reinventar solitariamente seu próprio mundo, sua própria crença, seus próprios fantasmas, seus próprios ídolos míticos, sua própria identidade, a par de todos, diferentemente de todos os outros em suas ilusões compartilhadas coletivamente.
Mas quando a realidade do caos ao seu redor desnudou todas essas suas fantasias morais e ilusões de um mundo que não mais existia, tornou-se uma pessoa sem "mundo" no qual acreditar: perdeu seus valores e suas ilusões necessárias à vida compartilhada com outras pessoas, e não conseguiu ter novas ilusões (crenças, ou sentidos para a vida), no lugar das anteriores.
Tornou-se um vazio existencial completo, um ser amorfo, com restos de identidades fragmentadas, com resquícios de valores morais contra os quais agora passava a lutar, por sabê-los irreais, com restos de crenças em Deus e coisas do tipo das quais agora tinha apenas raiva - por ter se descoberto uma pessoa enganada quanto a si mesma e quanto ao mundo real, brutal, caótico, genocida, no qual o ser humano não tem valor algum, a não ser em jogos de palavras hipócritas, com falsos humanismos – ou seja, o típico mundo da pobreza urbana brasileira, cercado de violênicia e de intelectuais humanistas.
Aos olhos dos outros tornou-se loucura, alguém a quem não se dá crédito, a quem não se compreende, com quem não se consegue compartilhar opiniões e crenças. Se lhe dessem ouvido, e se compreendessem o que fala, somado ao que falam os milhões de loucos brasileiros que não têm voz (por isso são loucos aos olhos dos outros), e sobre os quais não se faz filmes, viria à tona a realidade de um país e de um mundo de que a maioria da população não quer saber - preferindo todos continuar vivendo em seus estragados castelos de areia. Viria à tona uma realidade brutal, catastrófica, apocalíptica, um povo se auto-destruindo e ainda tendo que se acreditar alegre, carnavalesco e humanista-cristão. Quem quiser ver esta realidade, no entanto, basta apenas parar de assistir a Matrix, de jogar vídeo-game, de fumar maconha... Basta abrir os olhos e a mente para o que está ao seu redor - se conseguir.
'De algum lugar, gritos ecoam e doem aos ouvidos daqueles que se disporem a ouvir, sangram suas realidades falsas e utopicas, abrem feridas, as quais os 'normais' nao se dão a trabalho de curar.'
De alguem, por aí!
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Despertar
Naquele momento as palavras ecoaram pela minha alma como se um grito repentino, abafado, desesperado surgisse de um 'eu' adormecido, como o apertar de um gatilho que dá início ao trajeto da bala causadora do orifício feito no crânio do ser que partiu, para que outro nascesse. Senti-me estranho, como se a luz viesse de encontro à meus olhos, com tanta intensidade que pude sentir minha alma arder em chamas, se queimar com o calor da vontade de ver o mundo, a realidade como ela deve ser vista, usar pela primeira vez, minha visão.
A cada palavra lida, eu sentia um golpe pesado e cortante daquela nova sensação, de dentro pra fora, crescendo, brigando bravamente pra se libertar, cansada de tanto se esconder de máscaras que não faziam parte de mim. E eu, casando de ser quem não sou, cansado de me tornar uma máquina, um mecanismo forjado pra manter uma sociedade pútrida, que fede, e que me obriga a usar tampões sem que eu veja, pra não sentir seu mal cheiro, e então levantar a voz a tempo calada contra ela.
Durante algum tempo andei distante do mundo, distante do que se passava ao meu redor. Em casa me acusaram de louco, o que não foi novidade, na escola, me perguntaram - Qual o seu problema?- e nada mais fazia que sorrir, afinal, era a única informação idiota da sociedade que me lembrava nesses momentos 'Rir para não chorar'. Minha mente desbravava locais jamais conhecidos por mim mesmo.
O que posso lhes dizer é que depois de tanto pensar e refletir sobre o pensamento que acabara de ter, aceitei o novo eu, e agora, me vejo perdido em meio à um mundo que não compreendo, não mais, à rotinas que não me dizem respeito, não mais, a conceitos sem nexo algum, a uma vida sem sentido nenhum... Me tornei então, um ser alheio aos afazeres que vejo todos preocupados em cumprir, atarefados, brigando entre si e tentando obter bens que nem me lembro pra que servem mais.
Fiquei louco ou descobri aonde estava de fato, minha consciência...? Não creio que um lugar onde eu me sinta tão estranhamente bem, extra ao todo que a humanidade acredita ser, possa ser algo ruim. Confesso que não sei mais o que fazer, onde ir, com quem falar, o que buscar, mas uma coisa é certa, esse sou o 'eu' que quero ser, posso não ser ninguém aos olhos de um homem qualquer se seguir este novo caminho que surgiu, mas serei alguém suficientemente realizado quando a morte pousar sua pesada foice em meu ombro.
Até lá viverei uma vida que não sei qual, experienciarei coisas que não imagino, terei ensinamentos que ainda não sei.
Me lembrarei das palavras que me revelaram tal caminho, serei grato a elas por me trazerem meu pequeno abrir de olhos, meu singular Despertar...
A cada palavra lida, eu sentia um golpe pesado e cortante daquela nova sensação, de dentro pra fora, crescendo, brigando bravamente pra se libertar, cansada de tanto se esconder de máscaras que não faziam parte de mim. E eu, casando de ser quem não sou, cansado de me tornar uma máquina, um mecanismo forjado pra manter uma sociedade pútrida, que fede, e que me obriga a usar tampões sem que eu veja, pra não sentir seu mal cheiro, e então levantar a voz a tempo calada contra ela.
Durante algum tempo andei distante do mundo, distante do que se passava ao meu redor. Em casa me acusaram de louco, o que não foi novidade, na escola, me perguntaram - Qual o seu problema?- e nada mais fazia que sorrir, afinal, era a única informação idiota da sociedade que me lembrava nesses momentos 'Rir para não chorar'. Minha mente desbravava locais jamais conhecidos por mim mesmo.
O que posso lhes dizer é que depois de tanto pensar e refletir sobre o pensamento que acabara de ter, aceitei o novo eu, e agora, me vejo perdido em meio à um mundo que não compreendo, não mais, à rotinas que não me dizem respeito, não mais, a conceitos sem nexo algum, a uma vida sem sentido nenhum... Me tornei então, um ser alheio aos afazeres que vejo todos preocupados em cumprir, atarefados, brigando entre si e tentando obter bens que nem me lembro pra que servem mais.
Fiquei louco ou descobri aonde estava de fato, minha consciência...? Não creio que um lugar onde eu me sinta tão estranhamente bem, extra ao todo que a humanidade acredita ser, possa ser algo ruim. Confesso que não sei mais o que fazer, onde ir, com quem falar, o que buscar, mas uma coisa é certa, esse sou o 'eu' que quero ser, posso não ser ninguém aos olhos de um homem qualquer se seguir este novo caminho que surgiu, mas serei alguém suficientemente realizado quando a morte pousar sua pesada foice em meu ombro.
Até lá viverei uma vida que não sei qual, experienciarei coisas que não imagino, terei ensinamentos que ainda não sei.
Me lembrarei das palavras que me revelaram tal caminho, serei grato a elas por me trazerem meu pequeno abrir de olhos, meu singular Despertar...
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