Tudo que penso tem uma origem inescrupulosa e pueril, isso é tudo que me limito a ser.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Trauma

Ele nao sabia pra onde olhar, nem a quem recorrer, na verdade ele nao queria recorrer a ninguém. Todas as direçoes eram cavernosamente obscuras, era ele e o silêncio sepulcral da sua própia existência.
Teoricamente ele estava vivo, teoricamente. Mas se perguntara a alguns dias atrás o que era mesmo estar vivo? Ou seriam a alguns anos, horas... Ele havia perdido a noçao do tempo, a noçao de tudo, a noçao do mundo.

Uma conversa interessante

Uma conversa, um esclarecimento. As palavras saem de voce, no entanto, é como se visse aquilo pela primeira vez e percebe, que realmente é o que está dentro, escondido, porem, gritante. Nao é infelicidade, é descordancia de conceitos.

Caio diz:
Vale a pena?
É desgastante, felicidade nao se tem, se sente, é efemera.

Felipe Celline diz:
A felicidade devia ser a felicidade do momento. De querer sair correndo e gritando e fazer isso, sem pensar em ninguém, saca?

Caio diz:
Eu realmente nao entendo o porque de tanta busca por isso.
As pessoas vivem a vida toda sem a te-la.

Felipe Celline diz:
Por que as pessoas jogam sempre a felicidade lá pra frente, em planos futuros ou ombros alheios. Esquecem do presente

Caio diz:
Pra que tanto trabalho em busca de algo que nao lhe é essencial?

Felipe Celline diz:
Cara, pra mim é essencial. Felicidade é lucidez pra mim.

Caio diz:
Eu já vejo ai outro fator.
As pessoas nao sao felizes porque elas sao mesquinhas.

Felipe Celline diz:
o meu gosto

Caio diz:
Nada está bom. Nunca é suficiente.

Felipe Celline diz:
Você já teve um sonho lúcido?

Caio diz:
Voce pode estar com a pessoa que ama, vivendo a tarde mais feliz da sua vida. No entanto, se te perguntarem se voce É, feliz, dirá nao.
Porque?
Porque voce é pobre.
E isso te prende num mundo de infelicidade.
Um exemplo, claro.

Felipe Celline diz:
É, mas isso é culpa das pessoas cara
Esse negócio de sempre querer mais e mais e mais

Caio diz:
E o que é a felicidade senao uma coisa inventada por pessoas?

Felipe Celline diz:
e nesse sistema, o sistema do eu (egoismo ego, eu, ismo sistema), o mundo vai mal.

Caio diz:
Pra mim, é um nome que inventaram pra algo que elas sentem. E isso quer dizer elas podem ESTAR felizes.

Felipe Celline diz:
Felicidade é consciencia e lucidez de estar aqui e poder sentir coisas boas.

Caio diz:
Essas coisa de SER feliz, ja é ilusorio.
Voce entende que isso causa um buraco?
Eu vou explicar melhor.
Voce está com sua familia, num jantar maravilhoso, tudo está indo bem e voce sente uma coisa boa, felicidade, uma paz. A noite acaba.
Depois, tudo que voce mais quer é sentir isso denovo.
E voce dá o nome a essa sensação de felicidade.

Felipe Celline diz:
não deveria.

Caio diz:
Voce passa entao a tentar SER aquilo que sentiu. Mas tudo que é possivel é estar daquele jeito.
Como voce quer SER aquilo, ESTAR nao lhe agrada.

Felipe Celline diz:
a felicidade deveria ser concebida antes disso, dessa situação

Caio diz:
É pouco.
o que acontece é que apartir das suas tentativas fruistradas de SER, voce fica infeliz.
E esquece que voce pode sempre ESTAR.

Felipe Celline diz:
Você, nesse exemplo, deveria ser feliz por ter uma família que pode te proporcionar um jantar maravilhoso. E isso bastaria

Caio diz:
E nem é peciso tanto esforço.
Voce passa tempo demais atras do SER, quando o ESTAR, é o mais importante, ou deveria.

Felipe Celline diz:
Mas isso é defeito do homem, cara.
podemos ser felizes vinte e quatro horas.
podemos mesmo se estivermos tristes
mas eu te entendi cara

Caio diz:
O fato é que as pessoas veem tudo de forma errada.
Nao quer eu veja mais certo.
Mas de verdade, é um mundo de estupidez.
Por isso ser ''amargo'' aos olhos alheios, é ser feliz, pra mim.

Felipe Celline diz:
isso do SER enquanto deveria ESTAR é um mal dos humanos.



A pergunta que me fiz depois de termos essa conversa, foi: Existiu alguma chance de termos chagado a outra concluão senao a porcaria da essencia de merda da humanidade?
Como diriam na internet, por aí: RISOS!

sábado, 13 de março de 2010

O eco do avesso de mim mesmo

Nesse momento, eu poderia ser qualquer um, qualquer coisa, porque tudo que sou nesse momento, é nada.
Me sinto zerado, como materia pura, nao formulada, intocada e inerte. Qualquer sentimento seria capaz de me moldar e qualquer sensação capaz de me preencher. Nesse momento, eu sou o vazio.
Imagine uma escuridao cavernosa, nenhum resquicio de luz pode ser captado pelos olhos, uma cegueira profunda. Uma cegueira que transcende o corpo, uma cegueira que se extende raivosa e brutal até o cerne, que chega a alma. Agora, imagine tudo isso aconpanhado por um grito, de dor, de sofrimento. Esse grito, é seu, essa dor, é sentida por você, esse sofrimento... é voce quem escolheu.
Nao é querer dramatizar nem engrandecer a ferida que me assola, é apenas reconhecê-la, ela é ruim, mas a realidade é pior.
Eu pego meu copo de vodka com gelo, vodka pura, pra rasgar armargamente minha garganta e me trazer de volta a merda. Olho ao meu redor, tudo me enoja. Qualquer voz ou sorriso alheio é motivo pra que eu me irrite e queira me rasgar, me desfazer tantas vezes até que eu nao exista mais. Eu só posso dizer uma coisa: eu sou um covarde. Sou alguem que nao consegue se desapegar da vida mas ao mesmo tempo nao tem fibra pra encara-la. Fazer o possivel nao basta, derramar sangue com suor nao é suficiente, é necessario mais, ela quer a sua morte. E é isso que fazemos, vivemos nossas vidas vagas, falsamente felizes enquanto envelhecemos e nos colocamos de frente com as milhares de possiblidade de morte que temos a frente. A morte é certa, o quanto voce vai sofrer até que ela chegue, é a questao.

Olho pro rémedio comprado com suor do trabalho de alguem que nao sou eu, e decido nao tomar. Hoje, definitivamente, eu quero sentir a dor. A imensa dor que emana do meu cerebro, do tumor. Hoje minha vodka terá gosto de dor. O ar terá cheiro de cólera, e a vista, bom, essa será sempre desagradavel, de pessoas falsamente felizes esperando que a unica certeza que elas relutam em ignorar, chegue: a morte.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Anomalia temporal

É chegada a hora, sorrir, cantar comemorar mais um ano que se passa, vivo. Nao se se é motivo pra acreditar na sanidade do mundo, mas é um breve momento em que acredito estar mesmo seguindo um fluxo constante que vale a pena ser levado a sério.
Seria apenas mais um falsa impressao humanista e simploria da realidade, ou devo mesmo começar a seguir todo o ritmo frenetico e descompasado da sociedade desorientada que enxergo?
Nao sei, nao vou ter respostas agora, e me pergunto se algum dia terei. Caso nao tenha, agradeço por estar me questionando a aceitaçao de algo que até entao, considero inaceitavel.

Fiquem bem, caros pútridos seguidores sociais. Mais dias fétidos em que possam comemorar a vivência nesse mundo em que eu, ja teria abandonado caso tivesse escolha. Um cuspe de sangue cancerigeno dentro dos seus copos de alcool nessa data, a qual foquetes atordoarao suas mentes ja nao tao conectadas ao que eu prefiro chamar de CASTIGO.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Platéia de um só

Vivi cada dia me preparando para o próximo, cada segundo alerta, sem piscar, controlando a respiração pra não perder um só momento do segundo seguinte. Gostava de guardar sensações, memoriza-las afim de sempre tentar me aproximar de uma forma ou de outra da mesma outra vez. Visei sempre a felicidade, fosse ela a curto ou a a longo prazo.
Fazia uso de palavras razas, momentâneas, pensava que existira sempre uma oportunidade futura pra mais sentimentalismo e profundidade. Mas agora sei, não existirão outras oportunidades.
Ao pensar em mim, só me vem a cabeça a ideia de estar cavando a cova que me deitarei quando a hora chegar, a cova desconfortável que me sugará para o motivo de sua existência, a minha morte. Definir a forma como existo nesse instante é colocar em palavras a mais peculiar das sensações que minha carne, minha alma, meu ser experimentou. Sem mais delongas eu direi. É saber que nesse instante, esse mesmo que vivo, minha vida se esvairá pelo cosmos, por todo ele, nesse instante que deveria acabar agora mesmo, mas... não acaba. É um pesadelo inevitável, que deveria ser rápido, que deveria ser como a foice da morte rasgando o ultimo fio de vida de um ser, num ligeiro movimento. Ao invés disso, é como sentir uma pequena faca de caça te dilacerando pouco a pouco, pelas mãos de algo ou de alguém que quer que você sinta o quanto deseja que você sofra, querendo que você grite e implore pela vida. Querendo ouvir de sua boca que você é fraco, dependente de sua vontade pra continuar vivo.
Ao ter consciência disso, você até pensa em sucumbir a essa poderosa e intensa sensação de sofrimento, mas existe algo que te impede, que te prende a esse mundo de uma maneira tão forte, que não se importa se o que você quer é ser levado pra longe de toda essa loucura. Uns chamam esse 'algo' de amor, outros de 'assuntos inacabados' e tem até quem chame de família. O meu, se chama cansaço.
Poderia até invocar minha ultimas energias e gritar tão intensamente que faria que os pelos do corpo de quem o ouvisse se arrepiassem num calafrio medonho, e satisfazer assim, a vontade desse ser. Mas, não o faço, tenho andado cansado demais pra pra tal ato, prefiro apenas fechar os olhos e deixar que as coisas tomem seu devido rumo. Me acostumei com a apatia, nem vivo, nem morto, ainda. Acompanho o frenético movimento de tudo ao meu redor com o olhar de alguém que assiste de fora, e gosto disso. Sou a plateia de um só da minha própria vida, da minha existência, fico atónito, prado, observando quem fui e quem sou, e a certeza que tenho, constatada no ultimo exame, a ultima facada, é que não terei a oportunidade de ter um 'quem serei'.